Ficus

Moraceae

       Há mais de 800 espécies do género Ficus (palavra latina de que derivou a portuguesa "figo"), na sua maioria originárias de zonas quentes. Numerosas espécies são facilmente cultivadas em interior - mas não a figueira que produz o figo comestível , a Ficus carica. As espécies utilizadas hoje em dia como plantas de interior são apreciadas pela sua folhagem perene, além de que é sempre possivel encontrar um fico adequdo para qualquer sitaução dentro de casa. Este género inclui árvores, arbustos e trepadeiras; algumas espécies são próprias para parapeitos de janelas estreitos, outras requerem espaços mais amplos. A maioria adapta-se bem a condições que se alteram gradualmente. F. elastica, ou árvore da borracha, é o mais conhecido dos ficus de interior. Hoje em dia raramente se cultiva a espécie original preferindo-se-lhe as formas aperfeiçoadas. Todas apresentam folhas grandes, brilhantes coriáceas, com nervuras centrais proeminentes e um caule central com tendência para se desenvolver erecto, sem se ramificar nem produzir rebentos laterais. Pode, no entanto, ser induzido a ramificar-se, despontando-o. Esta operação provocará o derramamento copioso de uma seiva semelhante ao látex, mas o fluxo pode ser estancado aplicando carvão em pó ou até cinza de cigarro. Entre as inúmeras variedades da F.elastica, contam-se a F.e.'Decora', a F.e. 'Robusta', a F.e.'Black Prince', a F.e.' Tricolor', a F.e.'Scrijvereana', a F.e.'Doescheri' e a F.e.'Variegata'.

Cuidados - Luz - Na sua maioria, estas plantas dão-se bem em luz média ou num local onde recebem diariamente um pouco de sol. A F.pumila, no entanto, gosta de mais sombra do que os outros tipos. As espécies com folhagem verde simples toleram mais sombra do que as de folhagem variegada; estas requerem luz forte, com algumas horas por dia de sol directo. De outro modo, as folhas têm poucas probabilidades de manter a sua coloração e contrastes nítidos.

Temperatura - Embora os ficos, na sua maioria, se dêem melhor na temperatura ambiente normalmente quente de interior, podem ser gradualmente aclimatados a uma grande amplitude de temperaturas. Em salas muito quentes há que estar particularmente atento ao aparecimento de aranhiços vermelhos, que encontram as suas condições ideais em calor seco.

Rega - Nunca deixe que a F.pumila, seque ao nível das raízes, pois as suas folhas, finas como o papel, ficarão encarquilhadas e cairão. Regue as plantas desta espécie moderadamente, dando-lhes água suficiente para tornar a mistura de envasar completamente húmida em cada rega, e deixando secar apenas o centímetro superior antes de regar de novo. A maioria das outras espécies precisa de muito menos água; deixe secar a metade superior da mistura antes de regar. Uma rega excessiva fará cair as folhas inferiores.

Adubação - Aplique um vulgar adubo líquido de duas em duas semanas, apenas a plantas em periodo de crescimento activo.

Envasamento e reenvasamento - Utilize uma mistura à base de terra para as espécies de folhas maiores, mas para a F.Pumila e a F. sagittata é preferível utilizar uma mistura à base de turfa. Não use vasos demasiado grandes; estas plantas gostam de condições em que as raízes estejam ligeiramente apertadas. Use vasos que pareçam ser de um tamanho abaixo adequado. Mude as plantas para um vaso de um tamanho acima só quando o reenvasamento se tornar manifestamente necessário - indicado pelo aparecimento de muitas raízes pelos furos de drenagem e, possivelmente, de uma rede de finas raízes à superficie. A melhor altura para o reenvasamento é na Primavera. Atingido o vaso do tamanho máximo conveniente, proceda à substituição superficial da mistura na mesma altura do ano.

Propagação - As duas espécies rastejantes, a F.pumila e a F. sagittata, enraízam facilmente a partir de estacas de ponta de cerca de 15cm de comprimento obtidas na Primavera e inseridas em vasos de 8cm com uma mistura constituída por partes iguais de turfa e areia grossa ou perlite. Corte as estacas imediatamente abaixo de um nó e retire cuidadosamente o par de folhas inferior antes de envasar na mistura para enraizamento. Introduza as estacas num saco de plástico e mantenha-as numa temperatura ambiente normal em luz forte velada. Logo que apareçam novos rebentos, retires as estacas do saco e regue-as o suficiente para manter a mistura de envasar apenas húmida. Quando a nova planta tiver "pegado" bem - dentro de cerca de quatro meses - mude-a para um vaso do tamanho acima contendo a mistura recomendada à base de turfa. Outros tipos de ficos necessitam de cuidados um pouco mais especializados. As plantas de folhas grandes demoram geralmente mais tempo a enraizar a partir de estacas, porque a perda de água é considerável. Um método possível de propagação é a mergulhia aérea - um processo fascinante mas lento que requer muitos cuidados, exigindo por isso muita paciência por parte do jardineiro amador.

Observações especiais - Em todos os ficos de folhas brilhantes estas devem ser regularmente limpas com uma esponja para as libertar da poeira acumulada. Faça-o com delicadeza, especialmente quando se trate de folhas novas e sensíveis que se danificam facilmente. As cicatrizes na folhagem jovem nunca mais desaparecerão. Os ficos com folhas tomentosas (como feltro) - como a F.benghalensis - devem ser limpos por pulverização, e não com uma esponja.

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